Depoimentos nada acrescentaram ao relatório e o processo deve ser arquivado
Por Mano Santos
“Ouvi os comentários sobre o suborno, mas não sei de onde surgiram”. Essa foi resposta de quatro entre os nove arrolados no processo que averigua os rumores de mala-preta no futebol caxiense. O caso envolve as equipes do Mirassol e Cerâmica, que disputam a Copa Caxias de Futebol Amador 2011. As duas equipes se enfrentaram no dia 17 de maio, na ultima rodada da primeira fase da competição. O Mirassol, acusado de ter oferecido vantagem para o adversário “facilitar” o resultado, goleou por 9x1, marcando os seis últimos gols, nos 27 minutos finais de jogo. O empate nessa partida interessava ao Trezidelense, que ainda mantinha chances de classificação para as semifinais. Na noite desta terça-feira, a Comissão Disciplinar da Liga Caxiense de Futebol - LCF realizou oitivas para apreciar o caso.
Os depoimentos ocorreram em julgamento realizado na sede da LCF, anexa ao estádio Duque de Caxias e durou cerca de duas horas e meia. Entre as nove pessoas arroladas no processo, apenas seis compareceram à audiência, uma alegou não poder estar presente à sessão e outras duas sequer justificaram a ausência.
O primeiro a ser ouvido, foi o representante do Sabiá Futebol Clube, patrocinador da competição, que por sinal, vai distribuir uma premiação de R$ 15 mil reais ao campeão (R$ 8 mil), vice (R$ 4 mil), terceiro (R$ 2 mil) e quarto colocado (R$ 1 mil). João Damasceno Neto, Diretor de Marketing do Clube, afirmou que os boatos de suborno rondaram a sede do auriverde durante um treino, logo após a equipe garantir vaga para a final. “O Sr. Alfredo presidente do Sabiá, zelando em nome do patrocinador e demais colaboradores, achou por bem pedir a LCF para investigar a situação e então resolveu suspender a Copa até que tudo fosse esclarecido”,
A Comissão Disciplinar também ouviu o árbitro da partida Nilson Fernandes e o 1º assistente, José Garcia, o assistente 2, Chagas Vieira, Justificou a ausência. Os depoimentos foram similares e eles foram categóricos em afirmar que nada de anormal ocorreu nos vestiários e durante a partida. “Jogadores e dirigentes se comportaram normalmente”. Nilson Fernandes acredita que a seqüência de gols num curto período de tempo, pode ter sido influenciada porque o Cerâmica levou a campo apenas 12 atletas e que no segundo tempo, dois alegaram contusão e abandonaram a partida.
Muito esperados, os depoimentos dos atletas e dirigente do Cerâmica, de nada acrescentaram ao relatório. Dois atletas citados, inclusive não foram ao julgamento. Ernane Ribeiro, representante do clube e o jogador Ricardo Gomes, ouvidos pela Comissão, parecem ter ‘combinadas’ as palavras: “Ouvi os comentários sobre o suborno, mas não sei de onde surgiram”. Os dois também afirmaram não ter recebido nenhuma vantagem pecuniária. Ernane foi ainda mais irônico “Perdendo ou ganhado, nosso time sempre bebe aquela cervejinha ao final da partida”, talvez por isso tenham surgido esses boatos, já que nós pegamos de 9 a 1 do Mirassol.
Durante a realização das oitivas, o último a ser ouvido foi o Presidente do Mirassol, Antônio Raimundo. Ele demonstrou certo nervosismo e irritação quando indagado sobre o assunto, mas, orientado por parte da diretoria, resumiu a dizer apenas de que ‘nada sabia e que nada tinha a declarar’.
Após ouvir os depoimentos, a Comissão Disciplinar vai elaborar um relatório técnico com o posicionamento definitivo do caso. O documento será entregue nesta quinta-feira para o Presidente da LCF, Edmilson Coutinho; mas preliminarmente, já se pode dizer que o houve foi uma “tempestade num copo d’água”, e que o caso deve ser arquivado, podendo a competição prosseguir com a decisão entre Sabiá e Mirassol, em data ainda ser definida pelo patrocinador.

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